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Mega Man X: Um exemplo de adaptação e uso das emoções.

megaman x adaptação e emoção

A franquia “Mega Man X”, produzida pela Capcom surge em 1993 no Super Nintendo com uma jogabilidade frenética diante dos padrões da época, assim como uma história mais madura. Esqueça o conflito básico entre Dr. Light e Willy e também o clássico Mega Man. o personagem X, é outro personagem completamente diferente do Mega Man.

Para a explanação deste universo, usaremos como base apenas a história do primeiro jogo e do episódio especial Megaman X – O dia de Sigma” que relata os pré acontecimentos em relação ao primeiro jogo da saga.

A história de X

X é a ultima invenção de Dr. Light, sendo sua grande inovação, que X é o primeiro robô com inteligência autônoma.

Porém, Light explica que a cápsula de X só poderia ser aberta após 100 anos de processamento, pois X, precisava passar por uma “reabilitação”, que se sustenta em conhecer a história do mundo, o sofrimento, para que desenvolvesse emoções e empatia pelo próximo.

[Dr. Light] Sim… Você se chama X… Uma variável. Representa potencial ilimitado. Você é um novo tipo de robô, que pode pensar por sí próprio. Eu dei a você o poder de pensar, se preocupar, crescer e evoluir conforme você luta. Porém, é cedo demais para que a humanidade o conheça, eles podem temer o seu potencial ilimitado, afinal, X também carrega uma parte de perigo.

Após 100 anos, Dr Cain encontra a cápsula perdida, onde encontra uma carta de Dr Light sobre os cuidados a serem tomados.

CUIDADO: "X" é o primeiro robô de uma nova geração que contém uma habilidade revolucionária: a de pensar, sentir e tomar suas próprias decisões. Esta habilidade pode ser muito perigosa, pois X poderia quebrar a primeira regra da robótica: "Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal." Aproximadamente, 100 anos são necessários antes de com certeza confirmar sua reabilitação. Infelizmente, não viverei até esse dia e não tenho ninguém que continue o meu trabalho. Então, eu decidi mantê-lo preso nessa cápsula, a qual irá testar seus sistemas internos até sua reabilitação ser confirmada. Por favor, não abra a cápsula até esse dia. X tem grandes riscos assim como grandes possibilidades. Espero que o melhor aconteça.
CUIDADO: “X” é o primeiro robô de uma nova geração que contém uma habilidade revolucionária: a de pensar, sentir e tomar suas próprias decisões. Esta habilidade pode ser muito perigosa, pois X poderia quebrar a primeira regra da robótica: “Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.” Aproximadamente, 100 anos são necessários antes de com certeza confirmar sua reabilitação. Infelizmente, não viverei até esse dia e não tenho ninguém que continue o meu trabalho. Então, eu decidi mantê-lo preso nessa cápsula, a qual irá testar seus sistemas internos até sua reabilitação ser confirmada. Por favor, não abra a cápsula até esse dia. X tem grandes riscos assim como grandes possibilidades. Espero que o melhor aconteça.

Dado os 100 anos, Dr Cain retirou mega man de sua cápsula, e espantado com sua tecnologia, replicou a inovação encontrada da inteligência artificial para outros robôs da sociedade. Porém, estes futuros robôs adquiriram somente a inteligência, ignorando o desenvolvimento da emoção.

Revolução dos robôs

Um vírus se espalha pelo mundo, onde os robôs foram infectados por ele, que causou uma mudança no funcionamento de todos, em que agora, eles quebraram a primeira regra da robótica. Sendo assim, o pensamento racional, sem consciência emocional, gerou aos robôs a seguinte reflexão: Se eu sou superior aos humanos, porque eu devo servir a eles?

Os robôs que propuseram a revolução, são chamados marevicks, e são liderados por Sigma, ex aliado de X e antigo líder das operações de defesas.

Sigma inclusive, sempre foi um dos soldados indignados com o aspecto emocional de X, que por algumas situações, deixava de puxar o gatilho, por sentir o peso emocional de colocar um inocente em risco. Algo inconcebível para alguém puramente racional, que vê a missão acima de qualquer dilema moral.

Agora X, um dos únicos robôs não afetado pelo vírus, terá que deter todos os opositores, sendo que sua classificação de batalha é considerada baixa (rank B), contra marevicks de elite. Apesar da classificação baixa, X sempre teve um diferencial em relação aos demais. A sua capacidade de adaptação e livre arbítrio.

Adaptação constante e livre arbítrio

O início do jogo, começa com o cenário caótico, com a cidade e carros destruídos. Ao final da fase, X reencontra o seu antigo rival, Vile, que derrota X com enorme facilidade. Com isso, o robô azul é salvo por seu aliado Zero, ao acertar um tiro em Vile e se retirar do campo de batalha.

[X] Droga! Acho que não sou poderoso o bastante para derrotar ele…

[Zero] X, você não deveria esperar derrotá-lo. Ele foi criado para ser uma máquina de guerra… Lembre-se, você ainda não alcançou o seu poder total. Se você aprimorar todas as habilidades que foi programado, você se tornará poderoso… Você poderá ser até mais poderoso que eu…

Após esse diálogo, somos direcionados ao livre arbítrio que X tem. Somos direcionados ao menu de 8 possíveis desafios, onde cabe a nós escolher por onde iniciamos. Isso de alguma forma, já nos indica que X tem o controle de suas ações e livre arbítrio. Por mais que ele entenda a sua missão final, X tem potência para alterar os meios.

Apenas para se ter noção da dimensão dessa escolha, observe quantas combinações são possíveis de se fazer passando por esses 8 estágios do jogo. Tendo a liberdade de começar por qualquer um dos 8 cenários, é possível se zerar o jogo por 40320 caminhos diferentes.

40320 possibilidades dentro de apenas 8 fases
40320 possibilidades dentro de apenas 8 fases

Adaptatividade contra os chefões

A trajetória de X é marcada não somente pelo livre arbítrio, como também pelo seu desenvolvimento. A cada fase, é possível aprimorar os equipamentos de X. Aumento de energia, novas habilidades e novas peças de armaduras.

E claro, ao final de cada fase, o confronto contra os marevicks. Fica a escolha do jogador, definir com qual arma irá enfrentar o oponente. Pode-se utilizar o X-Buster regular, que é mediano contra todos os oponentes, assim como qualquer uma das 8 armas cedidas pelos chefes.

Cada um dos vilões, tem um ponto fraco dentre as 8 armas. Cabe ao jogador interpretar corretamente, qual seria o elemento mais condizente para enfrentar o oponente. Caso escolha a arma errada, o golpe causará um dano irrisório.

A escolha do equipamento certo, da estratégia utilizada no confronto, também diz respeito ao potencial de adaptação de X, como já citado por Dr. Light, que sua construção, é ilimitado. Mesmo os robôs considerados mais fortes, não tem esta capacidade do protagonista. Mas este detalhe, ainda não representa o que é o seu verdadeiro segredo.

As emoções

Os 100 anos de reabilitação de X, foram necessários para que ele desenvolvesse suas emoções, como medo, raiva, tristeza, alegria e aversão. Com isso, também foi possível desenvolver a empatia, demonstrado tanto no jogo, quanto na animação já citada.

Por tentar resolver as questões por meio da palavra, em um mundo caótico, X comprometeu missões no passado, e também deixou de derrotar Sigma, pois a condição seria também eliminar Zero para tal. Porém, Assim como Sigma conta, X é um risco sem limites, como um potencial sem limites.

Na animação, vemos X mesmo com uma perfuração no abdômen e sem o seu canhão, sendo capaz a partir da raiva, se equiparar no nível de força do grande vilão Sigma. Assim como na reta final do jogo, onde nos deparamos com Zero se sacrificando para salvar X em um confronto contra Vile, e nesse instante, o protagonista restaura toda a sua energia vindo novamente de seu sentimento de raiva.

Lembramos que a raiva, é a emoção que surge quando nos sentimos injustiçados com alguma situação, que libera em nosso corpo neurotransmissores como a adrenalina e noradrenalina, que torna a pessoa mais motivada e energética. No caso de campo de batalha ou esportes, é adequado sentir este tipo de emoção. E este potencial, apenas X possui, justamente, por ter desenvolvido suas emoções.

A tomada de decisões está relacionada as emoções

Aparentemente, tomar decisão seria uma habilidade exclusiva da racionalidade, porém, o neurocientista Damásio, conclui que nem sempre optamos dessa forma.

O raciocínio, avalia uma situação, a partir de reflexões lógicas, levantando as possíveis ações a serem tomadas. Porém, nos deparamos com situações em que a lógica não é capaz de escolher qual a melhor opção, fato que nos faz recorrer as nossas experiências emocionais para decidir.

No momento do dilema, o nosso corpo reage de certa maneira (emoção) para conseguir prosseguir, e esta reação, diz respeito as experiências emocionais, que adquiriu durante o tempo. X por exemplo, desperta seu potencial contra Vile, rival que no passado, também o havia derrotado, restando a X, lidar com o enfrentamento de uma nova maneira para superar o desafio.

Vale considerar que desde Darwin autor da teoria evolucionista, e também pela psicologia evolutiva, as emoções foram fundamentais para o nosso processo de adaptação, afinal, era necessário sentir todas as emoções, para se precaver ou agir de acordo com cada circunstância. Como já discutido no artigo que falamos sobre Raiden, antes de sermos seres racionais, somos seres emocionais!

Evolução ou adaptação?

Ao final do jogo, X derrota Sigma, e constata que a guerra está longe do fim, e que para isso (contra a sua vontade) continue a defender a humanidade pela batalha, algo que nunca o agradou.

Porém, vale uma breve ressalva, que durante todo o primeiro jogo, X se adaptou até o momento, uma vez que todos os seus aprimoramentos para “sobreviver” serviram apenas para o primeiro jogo, sendo nos jogos em seguintes, todo o progresso do jogo, é reiniciado.

Mas seria isso verdadeiro? Afinal, os detalhes mais significativos, X mantém algumas novas habilidades. Do primeiro para o segundo jogo, X já inicia a aventura com o seu dash, que no primeiro jogo, era obtido apenas por aprimoramento, e também a coloração de seu tiro carregado, já não é mais a mesma, o que também sinaliza avanço.

De fato, X não evolui. A teoria de evolução, pressupõe de reconhecer essas modificações para as próximas espécies, não somente no progenitor que desenvolveu certa habilidade. Porém, podemos dizer que X se adaptou de maneira permanente, devido as suas experiências emocionais anteriores.

Dr Light estava certo…

Talvez a humanidade realmente não estivesse pronta a tudo que X tinha a oferecer, principalmente, pelo poder de livre arbítrio e inteligência própria desenvolvida para demais robôs. Diferentemente dos demais reploids, X houve um tempo de reabilitação para desenvolver emoções.

Não desenvolvida as emoções, sendo apenas seres racionais, também nos tornamos frios, sendo capazes de cometer crueldades. As maiores crueldades foram da humanidade foram realizados por atos completamente racionais, de higienização, em considerar que pessoas inferiores ou desadaptados mereciam apenas servir ou serem extintos.

Nada muito diferente que os reploids fizeram, ao concluir que a humanidade é o mal do mundo, e o melhor para o mundo, é a extinção dessa raça. Pensamento semelhante em vários aspectos da história de nossa civilização não?

Ou seja, o grande medo de tornar robôs seres pensantes, é que eles se tornem tão racionais, e consequentemente, cruéis, como nós.

X precisa de ajuda?

Por ter emoções humanas, X também erra, e isso, não precisa ser consertado, uma vez, que é também daí, que todo seu potencial surge.

O que se pode avaliar, é como X lida com o julgamento de todos, uma vez que o “responsabilizam” por todo o desastre, uma vez que a tecnologia que gerou a revolução, surge dele. Além disso, vale também avaliar como ele se sente sendo rotulado como um robô de “classe B”.

X pode sofrer com isso, sobre a visão do mundo sobre ele, diminuindo seu auto valor e se colocando uma culpa que não é dele, e sim de outras circunstâncias que modularam este mundo.

Gostou de nossa análise? Gostaria de mais artigos sobre a franquia Mega Man X? Deixe nos comentários suas impressões!

Giovani Lucena CRP 04/55806

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