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Aprenda sobre o verdadeiro espírito natalino com Grinch, pela Psicanálise Winicottiana!

Um post que represente personagem sobre o espírito natalino não poderia ser outro! Interpretado por Jim Carrey, nos deparamos com um personagem ressentido e mal humorado, que se isolou no alto de uma montanha para que não seja notado pelos moradores da Cidade dos Quem.

O personagem, que dá as caras somente no natal de maneira enfurecida, por classificar o natal como uma falsidade. Por não acreditar nos conceitos de amor ao próximo (afinal ele nunca recebeu isso de alguém) deseja estragar o natal de todos da Cidade dos Quem, roubando o presente de natal de todos os moradores.

Para analisar o personagem, convidamos o estudante de psicologia Victor Segatto, utilizando-se da abordagem Psicanalítica Winnicottiana. O post abordará o isolamento, sentimento de abandono e inadequação de Grinch. Uma boa leitura e um feliz natal para todos!

Grinch, uma criatura verde e mesquinha que odeia o espírito de Natal. Quando criança foi abandonado e deixado, sem pai, sem mãe, sem lar, foi privado, em um ambiente falho.

O ambiente (mãe) age, para o atendimento às necessidades do bebê. Nesta fase, a mãe suficientemente boa, boa o suficiente para que o bebê possa desenvolver sem prejuízos psíquicos o “ambiente bom” permite que a criança coloque em prática sua tendência inata ao amadurecimento e continuidade da vida fazendo emergir o verdadeiro self. Quando a falha ambiental ocorre antes que a criança tenha estabelecido o seu ‘eu unitário’, acontecerá o que Winnicott denomina como “privação”.

Na privação, o bebê tem a sua linha do ser interrompida, o bebê ainda não tinha algo bom, uma capacidade de acreditar, um contar com. Como houve a privação, o bebê poderá elaborar uma organização defensiva a fim de lidar com estas invasões, podendo se instalar aí, dentre os distúrbios psicóticos possíveis, uma defesa denominada de falso si mesmo, o bebê renuncia à esperança de ver suas necessidades satisfeitas e vai adaptando-se aos cuidados que não lhe convêm. É aí que ele passa a adotar um modo de ser falso e artificial.

Grinch fugiu e refugiou-se no alto de uma montanha numa caverna, odiando o Natal, ele pretendia estragar a festa dos moradores da Cidade dos Quem, roubando presentes e enfeites.

Winnicott diz que “aquilo que procede do verdadeiro si mesmo é sentido como real (mais tarde como bom), seja qual for sua natureza ou grau de agressão; aquilo que acontece no indivíduo como reação à invasão ambiental é sentido como irreal, fútil (mais tarde mau), mesmo que seja sensualmente satisfatório” (Winnicott 1958b, p. 477). Com isso, o indivíduo experimenta sentimentos de irrealidade e vacuidade (estado de se sentir vazio, no vácuo) a respeito de si mesmo, dos outros e da vida.

A tendência antissocial (Winnicott, 1956, pp. 499-511) é fruto da falta de apego, de desvios nos investimentos afetivos, carências que castigam a alma precocemente. A tendência antissocial é um grito de socorro, mas, também, de esperança diante de um histórico de falência familiar e da sociedade, ao ferir o processo de estruturação da personalidade quando deixa de oferecer condições de dignidade a partir de valores culturais.

Os caminhos de Cindy Lou e do Grinch se cruzarão e, juntos, conhecerão o verdadeiro “espírito do Natal”.

A segunda oportunidade de reorganização do aparelho psíquico ocorre na a nível do narcisismo. Para tanto, é necessário oferecer à criança um ambiente previsível para que viva afetos diferentes, e encontre relações que promovem de conteúdo estruturantes, diálogos, vivências criativas estimulantes de seus recursos intelectuais, afetivos e da autoestima. Situações que ajudem a perceber os limites pessoais e sociais e formas de expressão do mundo, a maioria descobre em si e no outro a solidariedade, a cooperação, e se sente reconhecido e gratificado. (Levisky, 2012, pp. 313-325).

Referências:

J.-D. Nasio. Introdução às obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Tradução de Vera Ribeiro. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995, p. 194.

LEVISKY, David Leo. Privação e delinquência: caminhos e descaminhos da esperança. Uma contribuição psicanalítica para políticos e cidadãos brasileiros. Ide (São Paulo), São Paulo, v. 39, n. 63, p. 167-184, 2017 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010131062017000100013&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 13 dez. 2019.

Winnicott, D. W. (1987). Privação e delinquência. São Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1984; respeitando-se a classificação de Huljmand, temos 1984a. Título original: DeprivationandDelinquency).

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